Para muitos Microempreendedores Individuais, o início do negócio é cheio de improvisos. A produção acontece na cozinha, o atendimento pelo WhatsApp pessoal e, claro, o dinheiro das vendas cai na mesma conta usada para pagar contas da casa. À primeira vista, isso parece totalmente normal.
Mas essa mistura entre dinheiro pessoal e dinheiro do MEI pode trazer confusão, impedir o crescimento do negócio e até gerar dificuldades futuras com comprovação de renda e organização tributária.
Mesmo sendo uma modalidade simples, criada pela Lei Complementar nº 128/2008, o MEI ainda é um empresário individual — e, segundo a Resolução CGSN nº 140/2018, é importante manter organização financeira básica para que tudo funcione bem.
1. Por que é um problema misturar tudo na mesma conta?
Quando as entradas e saídas se misturam, fica praticamente impossível saber se o negócio está dando lucro ou prejuízo. Essa bagunça financeira afeta decisões importantes como reajuste de preço, compra de materiais, reserva de emergência e até o seu planejamento pessoal.
⚠️ Exemplos Práticos do Cotidiano
Exemplo 1: Ana, a confeiteira
Ana faz bolos como MEI. Em um mês, R$ 4.000 entram na conta — mas junto disso, tem um PIX da mãe, o salário do marido e compras do supermercado. Resultado: ela não sabe quanto realmente vendeu, nem quanto gastou no negócio. Quando tenta planejar o próximo mês, está completamente perdida.
Exemplo 2: João, o eletricista
João recebe seus serviços e paga suas contas tudo na mesma conta. Quando chega a hora da DASN-SIMEI (Declaração Anual), ele não consegue diferenciar o que foi receita do negócio e o que foi movimentação pessoal. Isso atrapalha a comprovação de renda para financiamentos bancários.
2. O que fazer para evitar isso (sem burocracia)?
A boa notícia é que organizar o dinheiro do MEI é muito mais simples do que parece — e não exige contador nem processos complicados. Siga estes 4 passos:
- Passo 1: Tenha uma conta separada. Não precisa ser conta PJ cara. Pode ser uma conta digital gratuita, usada exclusivamente para o MEI;
- Passo 2: Receba todas as vendas nessa conta. Nada de “cai aqui mesmo na minha conta pessoal”. Centralizar as entradas é essencial para entender o faturamento;
- Passo 3: Pague despesas do negócio pela mesma conta. Materiais, ferramentas, entregas, anúncios — tudo deve sair da conta do MEI;
- Passo 4: Defina sua retirada mensal. Pense nesse valor como seu salário (pró-labore).
Exemplo Prático de Retirada:
Veja como fazer a conta de padaria para definir seu salário:
- Vendas do mês: R$ 3.000
- Gastos do negócio: R$ 1.200
- Sobrou (Lucro Bruto): R$ 1.800
- Retirada para você: R$ 1.500
- Reserva do negócio: R$ 300
Simples, organizado e transparente.
3. Quais os benefícios dessa separação?
Além de cumprir sua responsabilidade como empresário individual (prevista no Código Civil, Lei nº 10.406/2002), você ganha:
- Controle real do lucro;
- Facilidade para enviar a DASN-SIMEI sem erros;
- Maior chance de conseguir crédito bancário;
- Menos risco em fiscalizações da Receita;
- Mais profissionalismo perante clientes e fornecedores;
- Base sólida para um crescimento saudável.
Conclusão
Separar o dinheiro não é frescura — é estratégia. O MEI foi criado para facilitar a vida do pequeno empreendedor, não para complicar. Separar as finanças é uma das atitudes mais simples e poderosas para que o negócio cresça de verdade.
Você ganha clareza, segurança e tranquilidade para tomar decisões melhores. Precisa de ajuda para organizar seu MEI? Conte com a Machado Ribeiro Contabilidade!